As Chaves da Cidade, Nova York, Estados Unidos
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SÉRIE · NOVA YORK, ESTADOS UNIDOS · 2023

Nova York

40°41' N → 40°46' N

Vinte obras entre o porto e o parque: a cidade mais barulhenta do mundo nos instantes em que ela se cala.

Nova York se lê de baixo para cima. Primeiro o porto, onde a cidade começou e onde a Estátua da Liberdade ainda recebe quem chega pela água. Depois o ferro das pontes e dos trilhos, que costurou a ilha ao continente. Depois o vidro e a luz, que a ergueram. E, no chão, a rua: a mesa, o ofício, a música e os bichos que dividem a cidade com quem mora nela.

Esta série procura a cidade nos intervalos do barulho: a Times Square atravessada por um único pedestre, o salão do Oculus quando vira catedral, um esquilo que posa como cidadão no meio do parque. Quase toda em preto e branco, ela toma emprestados os nomes que a própria cidade deu à arte: Mondrian, Hopper, Gershwin, Melville e Hart Crane batizam obras que a fotografia reencontrou na rua.

Nova York, 2023, em vinte imagens e quatro atos. A obra que dá capa à série é uma vitrine de chaveiro: cadeados e chaves à espera de uma porta, a cidade oferecida a quem chega. Se o Grey é o tempo em estado sólido e a Chapada é o tempo em estado líquido, Nova York é o tempo empilhado: quatro séculos de cidade, um sobre o outro.

LIBERTY ISLAND · BATTERY PARK · DUMBO · WORLD TRADE CENTER · GRAND CENTRAL · TIMES SQUARE · LOWER EAST SIDE · CENTRAL PARK

I

O Porto

LIBERTY ISLAND → WEST VILLAGE

Na ponta sul de Manhattan, a cidade começou pela água. A estátua que recebeu gerações de recém-chegados, o primeiro jardim público, as torres de épocas diferentes na mesma calçada e, no fim de uma rua do West Village, a torre que nasceu de uma ausência.

01 / 20

O Novo Colosso

O Novo Colosso

The New Colossus

LIBERTY ISLAND, NOVA YORK, EUA

Em 1883, para ajudar a pagar o pedestal da estátua, a poeta Emma Lazarus escreveu um soneto chamado O Novo Colosso. Vinte anos depois, os versos foram gravados numa placa dentro do pedestal: dai-me os vossos cansados, os vossos pobres. Vista de baixo, contra um céu carregado, a estátua perde o tamanho de cartão-postal e recupera a escala de monumento: uma figura de cobre que ergue a tocha sobre a baía há quase um século e meio, à espera de quem chega pela água.

02 / 20

Contraponto

Contraponto

Counterpoint

BATTERY PARK, NOVA YORK, EUA

Na música, contraponto é a arte de fazer vozes independentes soarem juntas. Do Battery Park, na ponta sul de Manhattan, os prédios fazem o mesmo: a pedra ornamentada do começo do século XX, a torre coroada por uma pirâmide e as fachadas de vidro que vieram depois, cada uma na sua época, todas na mesma partitura. As árvores sem folhas abrem a vista e deixam a cidade inteira à mostra.

03 / 20

O Primeiro Jardim

O Primeiro Jardim

The First Garden

BOWLING GREEN, NOVA YORK, EUA

Bowling Green é o parque público mais antigo de Nova York, cercado desde o século XVIII no ponto em que começa a Broadway. Ao fundo, a antiga alfândega projetada por Cass Gilbert e inaugurada em 1907 guarda na escadaria as esculturas dos quatro continentes. Em primeiro plano, um lampião e uma fila de bancos vazios: o primeiro jardim da cidade, à espera de quem tenha tempo para se sentar.

04 / 20

A Persistência da Memória

A Persistência da Memória

The Persistence of Memory

WEST VILLAGE, NOVA YORK, EUA

O título vem do quadro de Salvador Dalí que mora no MoMA, o dos relógios que derretem. Numa rua do West Village, as fachadas de tijolo e a fila de carros conduzem o olhar até o fim da perspectiva, onde se ergue o One World Trade Center, a torre que ocupou o lugar de uma ausência. A cidade seguiu em frente, mas a rua ainda aponta para o mesmo ponto: há coisas que o tempo não derrete.

II

O Ferro

DUMBO → GRAND CENTRAL

Pontes, trilhos e túneis: o ferro que costurou a ilha ao continente e ainda a sustenta. Sob um arco de tijolo em Dumbo, diante da torre gótica da Brooklyn Bridge, numa plataforma do metrô e nas passagens da Grand Central, a cidade se mostra pela estrutura.

05 / 20

Veduta

Veduta

DUMBO, BROOKLYN, NOVA YORK, EUA

Veduta é o nome que os pintores venezianos do século XVIII, como Canaletto, davam às vistas da cidade, pintadas com precisão de arquiteto para viajantes que queriam levar Veneza para casa. Em Dumbo, no Brooklyn, um arco de tijolo faz a moldura e a Manhattan Bridge atravessa o East River dentro dela: uma vista dentro da vista. O tijolo emoldura o aço, e a fotografia guarda os dois no mesmo enquadramento.

06 / 20

Proêmio

Proêmio

Proem

BROOKLYN BRIDGE PARK, NOVA YORK, EUA

Em 1930, o poeta Hart Crane abriu A Ponte, seu livro sobre a América, com um proêmio dedicado à Brooklyn Bridge, que ele via da janela do quarto. Aqui a ponte aparece pela torre de pedra e seus arcos góticos, quase escondida atrás dos galhos nus e de uma ruína de tijolo com janelas em arco. É a ponte antes da ponte: a estrutura de 1883 vista como uma catedral entre as árvores, o primeiro verso de um poema que a cidade escreve sobre o rio.

07 / 20

Estrelas Subterrâneas

Estrelas Subterrâneas

Underground Stars

METRÔ DE NOVA YORK, EUA

O metrô de Nova York, inaugurado em 1904, nunca dorme: são centenas de estações e trens que correm a noite inteira. Numa plataforma vazia, um vagão estampado com bandeiras e estrelas encosta junto à borda, e as luzes do teto desenham uma linha que se perde no túnel. As estrelas que a cidade não vê no céu aparecem aqui embaixo, pintadas na lataria.

08 / 20

Rapsódia em Azul

Rapsódia em Azul

Rhapsody in Blue

GRAND CENTRAL TERMINAL, NOVA YORK, EUA

Em 1924, George Gershwin estreou em Nova York a Rapsódia em Azul, a peça que aproximou o jazz da sala de concerto e virou a trilha sonora não oficial da cidade. Na Grand Central, a passagem que leva ao edifício MetLife, antigo Pan Am, guarda um lustre suspenso sobre as escadas rolantes e os nomes gravados na pedra. Em tons de azul, a estação vira partitura: a simetria das escadas, o brilho do lustre, o compasso de quem sobe e desce.

III

O Vidro e a Luz

WORLD TRADE CENTER → TIMES SQUARE

Ao lado do memorial das Torres Gêmeas, o Oculus de Santiago Calatrava abre suas asas de aço branco; mais ao norte, as torres de Midtown e a Times Square trocam a luz do dia pela dos letreiros. Aqui a cidade é arquitetura e luz, e as pessoas, quando aparecem, servem de escala.

09 / 20

Pássaro no Espaço

Pássaro no Espaço

Bird in Space

OCULUS, WORLD TRADE CENTER, NOVA YORK, EUA

Constantin Brancusi passou anos esculpindo uma única ideia: não o pássaro, mas o voo. Uma das versões de Pássaro no Espaço está no MoMA. Diante do Oculus, a estação desenhada por Santiago Calatrava ao lado do memorial do World Trade Center, as nervuras de aço branco se abrem como asas sobre as torres de vidro. Calatrava pensou a obra como uma pomba solta das mãos de uma criança; a fotografia a encontra no instante do voo.

10 / 20

No Ventre da Baleia

No Ventre da Baleia

In the Belly of the Whale

OCULUS, WORLD TRADE CENTER, NOVA YORK, EUA

Herman Melville nasceu em Nova York em 1819 e, trinta e dois anos depois, mandou Ismael ao mar atrás de uma baleia. Dentro do Oculus, as costelas de aço branco se fecham sobre o piso de mármore como a carcaça de um animal imenso, e as pessoas que atravessam o salão ficam do tamanho de um gesto. É uma catedral de passagem, onde quase ninguém para. A fotografia para por todos.

11 / 20

Onement

Onement

OCULUS, WORLD TRADE CENTER, NOVA YORK, EUA

Em 1948, Barnett Newman pintou Onement I, hoje no MoMA: uma tela escura atravessada por uma única faixa vertical, o que ele chamava de zip. No teto do Oculus, a mesma linha aparece feita de luz: a claraboia que corre ao longo da espinha da estação, entre duas fileiras de nervuras espelhadas. Ela foi projetada para se abrir todo 11 de setembro. Na imagem, é só isto: uma linha de luz que divide o escuro em dois e, ao dividir, une.

12 / 20

Vertigem

Vertigem

Vertigo

ROCKEFELLER CENTER, NOVA YORK, EUA

Em Um Corpo que Cai, de 1958, Alfred Hitchcock usou um movimento de câmera criado para mostrar a vertigem: o fundo se afasta enquanto o olhar fica preso. No Rockefeller Center, basta olhar para cima. As fachadas de pedra dos anos 1930 sobem em recuos sucessivos até a torre central, e o céu vira um recorte entre os prédios. É a cidade vista do ângulo de quem chega pela primeira vez: a cabeça para trás e o chão desaparecendo.

13 / 20

Broadway Boogie Woogie

Broadway Boogie Woogie

TIMES SQUARE, NOVA YORK, EUA

Quando chegou a Nova York, em 1940, Piet Mondrian trocou as linhas pretas por faixas de cor que piscam como semáforos e letreiros, e chamou o quadro de Broadway Boogie Woogie, em homenagem ao piano que ouvia nos clubes. Hoje ele está no MoMA. Na Times Square, à noite, a grade de Manhattan se acende inteira: telões, marquises e letreiros empilhados sobre a multidão, em preto e branco, como se a música continuasse sem a cor.

14 / 20

Notívagos

Notívagos

Nighthawks

TIMES SQUARE, NOVA YORK, EUA

Em Nighthawks, de 1942, Edward Hopper pintou uma lanchonete de esquina tarde da noite, com figuras que estão juntas e sozinhas ao mesmo tempo. Na Times Square, à noite, um homem atravessa a faixa diante dos faróis, os carros parados no sinal e os letreiros acesos sobre a rua quase vazia. A esquina mais iluminada do mundo, por um instante, pertence a um único pedestre.

IV

A Rua

LOWER EAST SIDE → CENTRAL PARK

No chão, a cidade pertence a quem mora nela: a delicatéssen que serve o mesmo pastrami desde 1888, a vitrine do chaveiro, o trombonista, o cavalo de penacho e o esquilo que posa para a câmera. É a Nova York que não cabe no cartão-postal, e é nela que a série termina.

15 / 20

Sinal dos Tempos

Sinal dos Tempos

Sign of the Times

LOWER EAST SIDE, NOVA YORK, EUA

O Katz's Delicatessen serve pastrami na esquina da Houston com a Ludlow desde 1888, quando o Lower East Side era o bairro dos imigrantes recém-chegados da Europa. Na fachada, o néon das letras e as placas acumuladas ao longo de mais de um século contam a história melhor do que qualquer livro. É a cidade que muda tudo ao redor e conserva o letreiro.

16 / 20

Os Comensais

Os Comensais

The Diners

LOWER EAST SIDE, NOVA YORK, EUA

No salão do Katz's, as paredes estão cobertas de retratos de quem já comeu ali, e as mesas não reservam lugar para ninguém: famosos e anônimos recebem o mesmo bilhete na entrada, enfrentam a mesma fila e pedem o mesmo sanduíche. A fotografia encontra o salão no meio do serviço, com mesas cheias, filas e conversas cruzadas sob as luzes frias. Comer junto ainda é a forma mais antiga de pertencer a uma cidade.

17 / 20

As Chaves da Cidade

Obra-capa da série

As Chaves da Cidade

The Keys to the City

NOVA YORK, EUA

Em Nova York, a chave da cidade é uma das maiores honrarias que o prefeito pode entregar: um gesto herdado das cidades muradas da Europa, quando quem recebia a chave podia entrar e sair pelos portões a qualquer hora. Na vitrine de um chaveiro, a honra vira inventário: dezenas de cadeados, chaves antigas e retratos da cidade emoldurados, atrás de uma grade de arame que reflete a rua. É a obra que dá capa à série: cada chave à espera de uma porta, a cidade oferecida a quem chega.

18 / 20

Improviso

Improviso

Improvisation

NOVA YORK, EUA

No jazz, improvisar é compor no instante, diante de quem escuta. Junto à grade de ferro de um parque, um trombonista toca sentado num banquinho dobrável, a vara do instrumento estendida na direção da rua. Nova York aprendeu boa parte da sua música assim, nas calçadas, nos porões e nas esquinas, antes de levá-la aos palcos.

19 / 20

Belle Époque

Belle Époque

CENTRAL PARK, NOVA YORK, EUA

As charretes circulam pelo Central Park desde o século XIX, quando o parque era o salão ao ar livre da sociedade nova-iorquina. Visto de perto, com o arreio de couro, os antolhos e um penacho de plumas, o cavalo espera o próximo passeio diante da grade do parque e dos prédios em volta. É um resto de outra época que a cidade ainda não quis aposentar.

20 / 20

Retrato de um Nova-Iorquino

Retrato de um Nova-Iorquino

Portrait of a New Yorker

NOVA YORK, EUA

De pé sobre as patas traseiras, as mãos juntas diante do peito e o olhar direto para a câmera, o esquilo posa como quem conhece o protocolo. Os esquilos-cinzentos são moradores tão confiantes dos parques de Nova York que não se intimidam nem com a cidade nem com quem a visita. Um retrato de corpo inteiro na grama, com a luz de lado e o fundo escuro, como manda o gênero.

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A série em edição limitada

Cada obra de Nova York existe como print fine art em edição de 25 exemplares, numerados, assinados e acompanhados de certificado de autenticidade. Impressão em pigmento mineral sobre papel de algodão Canson Infinity.