A Noite Americana, Chicago, Estados Unidos
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SÉRIE · CHICAGO, ESTADOS UNIDOS · 2023

Chicago

41°52' N → 41°54' N

Dez obras entre o lago e a rua: a cidade que nasceu de novo depois do fogo e ensinou o mundo a construir para cima.

Chicago se lê a partir da água. O lago Michigan é o horizonte que a cidade nunca deixou de olhar, e foi da margem dele que ela cresceu, depois do incêndio de 1871, com uma pressa que inventou o arranha-céu. O rio, invertido em 1900, corre entre torres de todas as épocas, e a estrutura dos prédios fica à mostra, como uma declaração de princípios.

Esta série procura a cidade no frio de março, quando o vento do lago esvazia as calçadas: o pavilhão de Frank Gehry sem orquestra, uma escada que sobe em direção à luz, uma poça que duplica a torre que o fogo poupou. Toda em preto e branco, ela toma emprestados títulos da poesia, da música, da pintura e do cinema: Sandburg, Bellow, Kubrick, John Cage, Demuth e Truffaut batizam obras que a fotografia reencontrou na rua.

Chicago, 2023, em dez imagens e quatro atos. A obra que dá capa à série é o Chicago Theatre à noite: o letreiro vertical aceso sobre a State Street e uma picape antiga atravessando a cena, como num filme. Se Nova York é o tempo empilhado, Chicago é o tempo reconstruído: uma cidade que pegou fogo e decidiu voltar mais alta.

MUSEUM CAMPUS · CHICAGO RIVER · MILLENNIUM PARK · WATER TOWER · STATE STREET

I

O Horizonte de Água

MUSEUM CAMPUS → STREETERVILLE

Chicago não tem mar, mas o lago Michigan faz as vezes de oceano: um horizonte de água doce diante de uma orla que a cidade decidiu, ainda no século XIX, manter para sempre aberta, limpa e livre. Da beira do lago, a cidade inteira cabe numa linha, dos ombros largos de Sandburg ao monólito negro de Streeterville.

01 / 10

Cidade dos Ombros Largos

Cidade dos Ombros Largos

City of the Big Shoulders

MUSEUM CAMPUS, CHICAGO, EUA

Em 1914, Carl Sandburg abriu seu poema sobre Chicago chamando-a de magarefe de porcos do mundo e, no fim, de cidade dos ombros largos. Vista do lago Michigan, a linha da cidade se estende de ponta a ponta, da Willis Tower, que foi o prédio mais alto do mundo entre 1973 e 1998, às torres novas do norte. A água ocupa a metade de baixo da imagem e o céu, a de cima; no meio, numa faixa estreita, cabe a cidade inteira, com os ombros erguidos contra o vento.

02 / 10

Aquela Cidade Sombria

Aquela Cidade Sombria

That Somber City

MUSEUM CAMPUS, CHICAGO, EUA

Saul Bellow abriu As Aventuras de Augie March, em 1953, com um narrador que se apresenta como americano nascido em Chicago, aquela cidade sombria. Na beira do lago, o muro de concreto faz uma curva lenta e conduz o olhar, como uma frase longa, até a linha dos prédios no horizonte. O céu ocupa quase toda a imagem e o caminho segue vazio: é a cidade vista de longe, inteira e silenciosa, do jeito que só a água permite.

03 / 10

O Monólito

O Monólito

The Monolith

LAGO MICHIGAN, CHICAGO, EUA

Em abril de 1968, Stanley Kubrick pôs um monólito negro diante dos primeiros homens em 2001: Uma Odisseia no Espaço. Um mês depois, Chicago terminava de erguer o seu: o John Hancock Center, cem andares de aço escuro com as diagonais em X à mostra na fachada, a estrutura que o engenheiro Fazlur Khan e o arquiteto Bruce Graham desenharam para resistir ao vento do lago. Visto da beira da água, entre o céu carregado e o cais de pedra, ele ainda é o centro de gravidade do horizonte.

II

Forma e Função

CHICAGO RIVER

A forma segue a função, escreveu Louis Sullivan em 1896, e Chicago construiu um século inteiro sobre a frase. Depois do incêndio, a cidade inventou o arranha-céu de estrutura de aço, inverteu o próprio rio e passou a mostrar os ossos dos prédios em vez de escondê-los. Aqui a estrutura é o assunto: o desfiladeiro de torres sobre o rio e uma trama de aço e vidro que conduz a luz até o alto de uma escada.

04 / 10

Não Façam Planos Pequenos

Não Façam Planos Pequenos

Make No Little Plans

RIO CHICAGO, CHICAGO, EUA

Não façam planos pequenos, eles não têm magia para mover o sangue dos homens: a frase atribuída a Daniel Burnham virou o lema do Plano de Chicago, de 1909. Poucas cidades levaram o conselho tão a sério. Chicago inverteu o curso do próprio rio em 1900 para afastar o esgoto do lago e depois o cercou de torres de todas as épocas: a Wrigley Building com seu relógio, a Tribune Tower gótica, as espigas de Marina City e, no centro, o vidro de 2009. O rio corre no fundo do desfiladeiro, na direção que a cidade mandou.

05 / 10

A Escada de Jacó

A Escada de Jacó

Jacob's Ladder

CHICAGO, EUA

No Gênesis, Jacó adormece sobre uma pedra e sonha com uma escada que liga a terra ao céu; no começo do século XIX, William Blake a pintou como uma espiral de luz. Em Chicago, os degraus sobem do escuro em direção a uma parede de vidro amarrada por uma trama de aço, que transforma a claridade em geometria. No alto, uma porta e uma palavra: The Landing, o patamar. A escada termina onde a luz começa.

III

A Sala Sem Paredes

MILLENNIUM PARK

No Millennium Park, Frank Gehry desenhou uma sala de concertos sem paredes: um palco de aço inoxidável que se abre como uma flor e uma treliça de tubos que leva o som por cima do gramado, para milhares de pessoas sentadas na grama. Em março, sem plateia e sem orquestra, o pavilhão vira outra coisa: um instrumento em repouso, afinado para o silêncio.

06 / 10

4′33″

4′33″

MILLENNIUM PARK, CHICAGO, EUA

Em 1952, o pianista David Tudor sentou-se diante do piano e não tocou nenhuma nota durante quatro minutos e trinta e três segundos: era a estreia da peça de John Cage em que a música é o som do ambiente. No Millennium Park, o pavilhão de Frank Gehry, inaugurado em 2004, espera o verão em silêncio. A treliça de tubos de aço que leva os alto-falantes por cima do gramado desenha uma partitura sem notas, e a Aon Center sobe ao fundo como o eixo da composição.

07 / 10

Música Congelada

Música Congelada

Frozen Music

MILLENNIUM PARK, CHICAGO, EUA

Goethe chamou a arquitetura de música congelada. No pavilhão de Frank Gehry, a ideia ganha corpo: os tubos de aço que cruzam o gramado em arcos sustentam o sistema de som e, vistos de lado, viram as linhas de uma pauta suspensa no ar. Atrás deles, as torres do Loop marcam o compasso e o céu carregado de março faz o resto. É a música do verão, guardada no inverno.

IV

Depois do Fogo

WATER TOWER → STATE STREET

Em 1871, o fogo levou o centro de Chicago e deixou de pé poucas construções, entre elas a torre d'água de pedra. A cidade que veio depois é a das ruas deste ato: a calçada que devolve o reflexo depois da chuva, a ambulância do Corpo de Bombeiros parada na esquina e o letreiro do Chicago Theatre, aceso desde 1921 sobre a State Street.

08 / 10

O Que o Fogo Poupou

O Que o Fogo Poupou

What the Fire Spared

WATER TOWER, CHICAGO, EUA

Em outubro de 1871, o Grande Incêndio de Chicago destruiu o centro da cidade em menos de três dias. A torre d'água de pedra calcária da Michigan Avenue, erguida dois anos antes, ficou de pé e virou o símbolo da reconstrução. Depois da chuva, uma poça na calçada ao lado dela devolve a cena de cabeça para baixo: as árvores sem folhas, os lampiões, os prédios novos e o muro antigo, que o fogo poupou e a água agora duplica.

09 / 10

Eu Vi o Número 1

Eu Vi o Número 1

I Saw the Figure 1

CHICAGO, EUA

Em 1921, William Carlos Williams escreveu um poema curto sobre um caminhão de bombeiros que passou por ele na chuva, com o número 5 pintado em dourado. Sete anos depois, o amigo Charles Demuth transformou o poema em pintura: I Saw the Figure 5 in Gold, hoje no Metropolitan. Em Chicago, a cena se repete em preto e branco: a traseira de uma ambulância do Corpo de Bombeiros, com a estrela da vida, as listras diagonais e o número 1, parada à beira da rua enquanto a cidade segue fora de foco.

10 / 10

A Noite Americana

Obra-capa da série

A Noite Americana

Day for Night

STATE STREET, CHICAGO, EUA

Em A Noite Americana, de 1973, François Truffaut filmou os bastidores de um filme e deu ao título o nome do truque que transforma o dia em noite na tela. Na State Street, a noite é verdadeira e a cena parece cinema: o Chicago Theatre, palácio de cinema inaugurado em 1921 e salvo da demolição nos anos 1980, acende o letreiro vertical que virou o emblema da cidade, enquanto uma picape antiga atravessa a rua vazia. É a obra que dá capa à série: Chicago escrita em luz, por cima de tudo.

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A série em edição limitada

Cada obra de Chicago existe como print fine art em edição de 25 exemplares, numerados, assinados e acompanhados de certificado de autenticidade. Impressão em pigmento mineral sobre papel de algodão Canson Infinity.