MANIFESTO
Eu fotografo o que permanece quando o ruído se dissipa.
Espero o momento em que o mundo respira por si. Quando aparece gente nas minhas imagens, ela é vestígio: pequena diante do espaço, e é essa desproporção que revela a escala do lugar.
A fotografia não precisa explicar. Precisa permitir. Cada imagem é um intervalo, um espaço aberto onde o espectador entra por conta própria.
Me interessa a geometria por baixo da desordem, a luz que não grita, o tempo que atravessa a paisagem e a arquitetura sem pedir permissão. Fotografar é um exercício de escuta.
Viajo para reconhecer estados. O deslocamento no mapa é o reflexo de um deslocamento interno. Entre o olhar e o mundo existe sempre uma pausa, e é nela que minha fotografia acontece.
Fotografo para sugerir presença. Para lembrar que o mundo continua mesmo quando não estamos no centro dele.
Meu trabalho é sobre silêncio habitado, passagem e permanência.