Candelabro, Sevilha, Espanha
Obra-capa · Candelabro · 2023Ver a obra →

SÉRIE · ANDALUZIA, ESPANHA · 2023

Andaluzia

37°53' N · 4°47' W → 36°32' N · 6°18' W

Dezesseis obras entre a Califa e o Atlântico: a terra onde três fés dividiram as mesmas pedras e a luz continua a assinar tudo.

A Andaluzia se lê em camadas. Por baixo, Roma; por cima dela, oito séculos de Al-Andalus, que ensinaram a região a cultivar a laranjeira, a abrir pátios para dentro e a cobrir paredes com geometria; e, sobre tudo isso, a Espanha cristã, que ergueu campanários sobre minaretes e fachadas barrocas diante de praças mouras. Nada foi apagado por completo. Cada lugar guarda a camada anterior à vista, como um palimpsesto que a luz do sul reescreve todas as tardes.

Esta série percorre quatro cidades de leste a oeste, do interior ao mar: Córdoba, a antiga capital do califado; Sevilha, onde a Giralda aparece e desaparece entre becos e laranjeiras e onde a cidade nova aprendeu com a antiga a deixar o sol terminar o projeto; Jerez de la Frontera, de ruas de pedra e fachadas douradas; e Cádiz, três mil anos de porto olhando o mesmo Atlântico, com Vejer de la Frontera caiada no alto do morro. A Giralda volta quatro vezes, de quatro distâncias, porque é assim que Sevilha a mostra a quem anda.

Andaluzia, 2023, em dezesseis imagens e quatro atos. A obra que dá capa à série é uma porta de Córdoba: o arco de pedra, as folhas cravejadas abertas, e, do outro lado, uma laranjeira carregada e o casario branco na luz rasante. É a região inteira num quadro: o que foi erguido para separar acabou servindo para emoldurar.

CÓRDOBA · SEVILHA · JEREZ DE LA FRONTERA · CÁDIZ · VEJER DE LA FRONTERA

I

Córdoba, a Califa

CÓRDOBA · 37°53' N

No século 10, Córdoba foi a maior cidade da Europa e a mais sábia, porque três fés liam nas mesmas bibliotecas. O que sobrou dessa convivência não é um monumento: é uma maneira de dispor a cidade, com portas que escondem pátios, laranjeiras nas praças e pedra que guarda o calor até a noite.

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A Porta do Califa

A Porta do Califa

The Caliph's Gate

CÓRDOBA, ESPANHA

Uma porta é feita para dividir: dentro e fora, os de casa e os de passagem. Esta, em Córdoba, com as folhas de madeira cravejadas de ferro abertas de par em par, faz o contrário. O arco de pedra enquadra uma segunda cidade: a laranjeira carregada, o casario caiado, a escada que sobe para uma janela gótica, o caminho de seixos que a luz rasante da tarde desenha até o fundo. Oito séculos de muralha reduzidos a uma moldura. O que foi erguido para separar acabou servindo para mostrar.

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02 / 16

Sermão de Pedra

Sermão de Pedra

Sermon in Stone

CÓRDOBA, ESPANHA

Houve um tempo em que Córdoba foi a cidade mais sábia da Europa, porque três fés dividiam as mesmas bibliotecas. Dessa convivência ficaram heranças que esta praça reúne sem esforço: as laranjeiras que os mouros plantaram, o empedrado de seixos andaluz, a fachada barroca da Espanha cristã, o casario caiado de sempre. As árvores se alinham diante da igreja como uma congregação verde; os bancos esperam quem quiser sentar. Nenhuma palavra é dita. O sermão é a praça inteira, e a mensagem é que isto, um dia, funcionou.

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03 / 16

Clausura

Clausura

Enclosure

CÓRDOBA, ESPANHA

Um ferrolho de ferro batido, uma corrente enrolada três vezes, um cadeado de latão que o tempo ainda não venceu. Por trás das grades, um corredor estreito de pedra foge para a luz. A Andaluzia inteira nasceu de portas assim: a casa mourisca se fechava para a rua e se abria para dentro, para o pátio, onde ficavam a água, a sombra e a vida. A fechadura não esconde um tesouro. Guarda uma maneira de viver.

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II

Sevilha, a Torre e o Pomar

SEVILHA · 37°23' N

A Giralda nasceu minarete em 1198 e virou campanário três séculos depois; no topo, uma estátua gira com o vento desde 1568 e dá nome à torre. Sevilha a esconde e a devolve a cada esquina, e as laranjeiras, plantadas pela mesma civilização que a ergueu, continuam a emoldurá-la.

04 / 16

A Rua que Sobe ao Céu

A Rua que Sobe ao Céu

The Street That Climbs to the Sky

SEVILHA, ESPANHA

A rua é estreita e escura, com varandas de ferro e toldos; a casa rosa no fim dela já recebe o sol; e acima de tudo, no último terço do quadro, a Giralda termina a frase. Sevilha foi desenhada assim, por quem sabia que um minarete se vê melhor de um beco do que de uma praça: a sombra em baixo, a luz no alto, e o olhar obrigado a subir. Quem anda pela cidade não procura a torre. Ela espera no fim da rua, e a rua inteira é o caminho até o céu.

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05 / 16

Partitura Gótica

Partitura Gótica

Gothic Score

CATEDRAL DE SEVILHA, ESPANHA

A maior catedral gótica do mundo foi erguida sobre a mesquita maior de Sevilha, e os dois alfabetos convivem na mesma parede: à esquerda, o pináculo e os arcobotantes da Europa cristã, uma escrita de linhas verticais; à direita, o rendilhado de tijolo da torre almóada, uma escrita de losangos repetidos. A luz da tarde lê as duas ao mesmo tempo. Não há conflito na pedra. Há uma partitura a duas vozes, composta ao longo de quatro séculos, e tocada todos os dias ao pôr do sol.

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06 / 16

Candelabro

Candelabro

Candelabrum

SEVILHA, ESPANHA

Um lampião de ferro de cinco braços, ainda apagado, contra um céu de nuvens altas; atrás dele, a muralha ameada e, à direita, a Giralda inteira, da base de pedra ao Giraldillo. Sevilha acende as luzes da rua ao anoitecer, mas a torre nunca precisou delas: foi feita para ser vista de longe, pelos que chegavam pelo rio. O candelabro espera a sua hora. A torre, há oitocentos anos, não espera nada.

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07 / 16

Sentinela

Sentinela

The Sentinel

SEVILHA, ESPANHA

Antes de ser campanário, foi atalaia: do alto do minarete vigiava-se o rio, a planície e quem chegasse. Oito séculos depois, a função permanece por conta própria. A torre é o primeiro ponto de Sevilha a avistar quem chega e o último a despedir-se de quem parte. As laranjeiras que a emolduram são do mesmo projeto: plantou-as a mesma civilização que a ergueu, folha e pedra do mesmo século. A sentinela continua no posto, espiando por entre as árvores que viu nascer.

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08 / 16

Aparição

Aparição

The Apparition

SEVILHA, ESPANHA

Em Sevilha, a torre não se anuncia: aparece. Os becos a escondem e a devolvem, esquina após esquina, como um jogo que a cidade joga há oitocentos anos. Dois terços dela nasceram minarete, chamando à oração de Meca; o corpo de sinos veio depois, por mãos de outra fé; e no topo, uma estátua-catavento gira com o vento desde o século 16. Quando esta imagem foi feita, andaimes a envolviam: mais uma geração cuidando da torre que nunca pertenceu a um só tempo. A aparição continua.

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09 / 16

Ouro de Sevilha

Ouro de Sevilha

Seville Gold

SEVILHA, ESPANHA

Não é preciso ver Sevilha inteira: meia porta basta. Na grade de metal, o entrelaçado mourisco que reveste as torres da cidade; na moldura, o arco apontado da fé que veio depois; na parede, o amarelo albero, cor da areia das praças, que Sevilha escolheu como assinatura. A luz da tarde corta o reboco num gume de sombra e revela cada século na sua camada. Há cidades que se contam em monumentos. Sevilha cabe num detalhe, para quem souber ler.

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Dolce Vita Andaluza

Dolce Vita Andaluza

Andalusian Dolce Vita

SEVILHA, ESPANHA

Uma Vespa cor de creme estacionada à sombra de uma laranjeira, sobre um passeio de azulejos ocre e branco, diante de uma fachada de pedra que já viu muitas tardes. A cena poderia ser Roma nos anos 50, mas o azulejo é andaluz e a árvore também. Sevilha não copiou a dolce vita: inventou a sua, mais lenta, com a sombra bem medida e a fruta ao alcance da mão. O motor está desligado. Ninguém tem pressa.

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III

Sevilha, o Século Novo

SEVILHA · 37°23' N

A Sevilha contemporânea aprendeu o ofício com a antiga: geometria, sombra e cor nas dobras. Uma estrutura de madeira do tamanho de uma praça e uma fachada que guarda o laranja para a hora em que o sol a acende.

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As Setas

As Setas

Las Setas

METROPOL PARASOL, SEVILHA, ESPANHA

Sevilha deu ao Metropol Parasol o nome que ele merecia: Las Setas, os cogumelos. Inaugurada em 2011 sobre uma praça de mercado, a maior estrutura de madeira do mundo é uma grelha ondulada que o sol da tarde atravessa e transforma em favo. Vista de baixo, contra o azul, deixa de ser arquitetura e vira o que sempre quis ser: sombra desenhada, a mesma ideia dos pátios e das treliças mouras, oito séculos depois e em madeira laminada.

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Pomar Vertical

Pomar Vertical

Vertical Orchard

SEVILHA, ESPANHA

A Sevilha nova aprendeu o ofício com a antiga: deixar o sol terminar o projeto. A fachada é sóbria, quase muda, e guarda toda a sua cor nas dobras: ombreiras fundas pintadas de laranja, que a luz rasante acende uma a uma, como frutas amadurecendo em pé. Ao lado, uma árvore nua de inverno descansa do seu trabalho. Na cidade das laranjeiras, quando o pomar dorme, a arquitetura frutifica no lugar dele.

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IV

O Sul, até o Mar

JEREZ · CÁDIZ · VEJER · 36°32' N

Depois de Sevilha, a terra desce para o Atlântico. Jerez guarda o ouro nas fachadas e nas adegas; Cádiz, a cidade mais antiga do Ocidente, olha o mar há três mil anos; e Vejer, caiada no alto do morro, deixa que o castelo mouro vizinho lhe escreva a sombra na parede.

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Vermelho Jerez

Vermelho Jerez

Jerez Red

JEREZ DE LA FRONTERA, ESPANHA

Jerez é a cidade do vinho que leva o seu nome, do cavalo cartujano e das fachadas que a tarde pinta de ouro. Na Calle Compañía, a casa senhorial da esquina, com o brasão no alto e as varandas de ferro, recebe a última luz do dia. Pela rua de pedra, de capacete e casaco vermelhos, uma moto vermelha avança contra o dourado. É a única cor que a cidade não tinha. Chega de fora, atravessa o quadro e segue.

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A Hora Azul de Cádiz

A Hora Azul de Cádiz

Cádiz Blue Hour

CÁDIZ, ESPANHA

Cádiz tem cem cúpulas e um só céu. Esta, de azulejo verde-água sobre o lanternim branco, segura a última luz quente do dia enquanto a parede de pedra ao lado já esfria. Entre o ocre e o turquesa, a cidade decide a sua paleta todas as tardes, há três mil anos, com o Atlântico de um lado e a baía do outro. Por um minuto, a cúpula é a mesma cor do mar que a cerca. Depois a hora azul toma tudo.

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Eco Mouro

Eco Mouro

Moorish Echo

LA CALETA, CÁDIZ, ESPANHA

Cádiz é mais antiga que o próprio nome: foi Gadir dos fenícios, Gades de Roma, porto mouro, praça espanhola, três mil anos olhando o mesmo Atlântico. Quando a Espanha do século 20 quis construir um balneário nesta praia, escolheu citar a herança que um dia tentara apagar: cúpula, recortes e rendas de Al-Andalus, reerguidos em saudade sobre a areia. A influência verdadeira não precisa permanecer: ela volta. E ao fim da tarde, dourada, parece nunca ter saído.

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A Sombra do Castelo

A Sombra do Castelo

The Castle's Shadow

VEJER DE LA FRONTERA, ESPANHA

Em Vejer de la Frontera, a arquitetura conversa com o tempo através das sombras. Na face principal, a cal de uma construção tradicional judaica; projetada sobre ela, a silhueta ameada do castelo mouro vizinho. Duas crenças, duas histórias, fés completamente diferentes, e a luz do sul costurando as duas na mesma parede.

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A série em edição limitada

Cada obra da Andaluzia existe como print fine art em edição de 25 exemplares, numerados, assinados e acompanhados de certificado de autenticidade. Impressão em pigmento mineral sobre papel de algodão Canson Infinity.